DIVÃ ONLINE por Luisa Mascarenhas - Clique em Faça aqui sua pergunta ou comentário, logo abaixo da última pergunta respondida, e participe!


Queridos freqüentadores do "Divã", tenho recebido muitas perguntas e gostaria muito de responder a todas elas. Mas por diversas razões não estou podendo, neste momento, prosseguir com o trabalho que vinha desenvolvendo aqui. Quando for possível, retomarei o blog e buscarei responder às perguntas pendentes. Por enquanto, deixo aqui meu e-mail para quem quiser entrar em contato em marcar uma consulta: luisa@meuprovedor.com.br

Peço gentilmente que não mandem perguntas por e-mail, porque não terei como respondê-las por agora, assim como não posso responder ao blog. Mas tenham certeza de quem os receberei com o maior prazer em meu consultório caso haja interesse em ingressar numa psicoterapia. Atendo no Rio de Janeiro, na Gávea e em Copacabana.

Espero retomar o diálogo com vocês em breve. Um grande abraço e muito obrigada a todos pelas visitas e participações no "Divã".

 

 

 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 00h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PERGUNTA:

"Tenho 18 anos e namoro um rapaz de 17 há 9 meses e meio. Gosto dele mas não o amo de paixão, daquelas de perder o fôlego.Tenho muitos outros interesses, como o de terminar meu curso de faculdade, ao qual estou me encaminhando para o segundo período. Ele mostra me amar, mas cada vez que ele fala nissso, não demonstro tanto amor assim. Não estou contente com nosso namoro, e sei que não é isso que sonho de um amor, mas também não quero terminar, tenho medo de não sair e me divertir e medo de ficar sozinha. Gostaria de saber o que sinto e o que fazer. E também tive um namoro de um ano e nove meses e até hoje não consigo esquecer meu ex-namorado, tanto é que às vezes parece que vejo a visão de meu ex-namorado no olhar de meu atual namorado. Abraços, Juliane"

RESPOSTA:

Juliane, acabo a leitura de sua pergunta com a sensação de que você sabe exatamente o que sente e até mesmo as motivações conscientes para não terminar esse namoro. Mas fica faltando aquilo que a gente não sabe o que é mas sabe que existe. Nesses momentos fica claro para nós que as motivações das nossas ações fogem ao nosso conhecimento e domínio. Medo da solidão parece ser uma razão bastante forte para manter sua relação, mas soa um pouco exagerado ouvir isso de uma jovem de 18 anos... Que solidão é essa? Que medo é esse? Será que você não está evitando reviver situações dolorosas da sua vida onde você se sentiu sozinha ou na qual assistiu alguém sofrendo por estar só? 

Estar solteira, sem um companheiro, não significa estar sozinha. Há vários outros aspectos e pessoas na sua vida e parece que você não está conseguindo enxergar a força disso. Quando você disse que tem medo de não sair e se divertir confesso que fiquei um pouco confusa. Você tem medo de não sair e se divertir? Você acha que se estiver só vai ficar desanimada? Gostaria de entender melhor isso.

Não posso deixar de destacar aqui a influência que sua antiga relação parece ter nesse seu atual desconforto. Se você ainda não superou o término de vocês, claro que terá dificuldades em sentir-se apaixonada por outro. Tente entender o que exatamente a está prendendo ao seu ex. Que tipo de vivência você teve com ele e que está tão difícil de abrir mão? Qual é o aspecto do seu antigo relacionamento que lhe faz tanta falta?

Quando entendemos o que está nos prendendo a uma pessoa, podemos ser capazes de separar esta pessoa da emoção que ela nos gera. E aí percebemos que o sentimento que nos une está relacionado basicamente a questões que temos em relação a nós mesmos. Assim, descontruindo a idéia de que aquela pessoa tem algo de que nós precisamos e nos concentrando no que é esse algo de que estamos sentindo falta, podemos sair em busca de conseguir conquistar o que queremos de outras formas, ou até mesmo pesar as coisas e optar por abdicar de algumas em nome de outras.

O fundamental é saber identificar as faltas e depois ver o que você pode fazer para amenizar as perdas e potencializar os ganhos. Não concentre suas energias pensando no amor que sente pelo seu ex-namorado, mas sim no seu apego a determinadas sensações que ele te oferecia. Lembre-se, contudo, de que sempre haverá falta. Nada nem ninguém vai trazer um bem estar pleno e constante em sua vida. Porém, não sejamos tolos de acreditar que qualquer pessoa é capaz de despertar nosso amor e nossa paixão... mas será que você deu ao menos uma chance ao seu namorado? Será que quer dar? 

Que tal aproveitar esse descontentamento para tentar se entender um pouco mais? Sei que te enchi de perguntas, mas acho mesmo que você está precisando se interrogar mais, refletir mais sobre sua vida. Adoraria que você me escrevesse de novo para continuarmos esse papo. Fico então aguardando:) Um enorme abraço para você.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 02h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PERGUNTA:

"Tenho 27 anos. Fui casada durante 6 anos e meio, tenho uma filha linda de 4 anos. Me separei há três anos e meio. No início, deste ano, meu ex-marido faleceu em um acidente. Há dois anos e meio, tenho um relacionamento com um homem maravilhoso, amoroso, carinhoso, inteligente, bem-humorado, enfim, tudo o que sempre busquei em alguém. Ele tem inúmeros defeitos, assim como eu, mas nos amamos muito. Quando o conheci, ele ainda era casado. Havia namorado durante 9 anos e se separou com 1 ano e meio de casamento. A família dele a adora e não me aceita, inclusive dando a ela livre acesso a casa deles (ele mora com a mãe e os irmãos), e a incentivando a lutar por ele. Há nove meses, ele me traiu com ela. Ele mesmo me contou. Ficamos sabendo que ela ficou grávida. Ele não me pediu nada, nem para continuar com ele, apenas que o perdoasse. Ele ficou mais arrasado do que eu, e durante um tempo, nem conseguia me olhar direito, pois dizia que não conseguia entender o que havia feito. Ele, apesar do que fez, é um exemplo de homem. Aceitei sua traição. Acho que ainda não o perdoei, pois não consigo esquecer o fato.

Depois dessa tempestade, ele me trata como uma princesa, tem inúmeras demonstrações de amor, carinho, respeito. Tenta me mostrar, como ele mesmo me diz, que é a mim que ele ama, que sou a mulher da vida dele. Nosso relacionamento é público, todos sabem de nós, inclusive a ex dele.
Mas, agora, que o bebê vai nascer (ele assumiu a paternidade, até mesmo com o meu apoio, pois acho que deveria fazê-lo), não estou conseguindo aceitar a convivência dos dois, agora mais intensa devido ao trabalho de parto e após o nascimento do bebê
. Sempre disse que era isso o correto a fazer, que ele deveria dar apoio e suporte a ela e ao bebê, já que a culpa era dos dois e a criança nada tem a ver com tudo isso. Mas, estou sofrendo e confusa, pq não consigo aceitar a aproximação dos dois daqui pra frente. Amo-o demais, sei que ele tb me ama, mas tenho pensado demais em desistir de tudo. Não sei o que fazer. Talvez vc me ajude a encontrar, dentro de mim, as respostas que tanto procuro.
Obrigada... E por favor, me ajude!"

RESPOSTA:

Aline, sua situação é mesmo muitíssimo delicada. Por mais que você saiba que o correto é que ele assuma essa paternidade, suas emoções não estão dando conta... Você falou que há muito amor entre vocês, o que parece condizer com a realidade, já que ele se separou e assumiu você diante de todos mesmo sabendo que a família dele prefere a relação antiga e que seria mais simples ficar com a ex. Ou seja, apesar do deslize com graves conseqüências, você diz que ele está optando por estar com você. Seria bem mais fácil para ele estar com a ex mulher, de tantos anos de relação, aceita pela família e grávida de um filho dele. Mas, apesar dos obstáculos, é você quem ele quer. Você diz também que ele é um exemplo de homem, mostra que o ama e o admira, mas está insegura e muito desconfortável com toda essa situação. Ou seja, neste momento seu amor por ele está sendo um fardo pesado demais.

 
Infelizmente, Aline, não há uma solução mágica para sua questão. Você precisa sentir o que tem mais importância para você agora, se é estar com ele apesar de tudo, ou afastar-se, mesmo que seja por um período. Afastar-se representa um risco, mas estar junto corresponde a enfrentar esse mal estar diário nesta circunstância.

Seja como for, junto ou longe dele, uma coisa é certa: o filho dele vai nascer, vai crescer e a relação com o pai será como a de qualquer filho com pais separados. O que equivale a dizer que, se esta mulher de fato já não é mais amada por ele, ela será a ex-mulher, mãe de um filho, como muitas outras que conhecemos. Se vocês estiverem juntos, vocês vão esbarrar com ela em ocasiões sociais, vai haver troca eventual de telefonemas a respeito do filho etc, mas o convívio, se ele assim quiser, será o menor possível. O mais duro de enfrentar parece ser esta fase, com o nascimento e os primeiros meses do bebê. Mas, é claro, há ainda o peso de uma traição e de uma família rejeitadora a encarar. Os obstáculos são muitos nesta relação. No entanto, parece ser um amor grandioso, profundo, intenso e recíproco. 

Se você optar por terminar, saiba que nem tudo é definitivo, e se há um laço tão forte entre vocês, talvez em breve vocês voltem a se relacionar, quando tudo estiver mais calmo, ou então você seguirá adiante e construirá uma outra relação. Se optar por ficar com ele, talvez seja importante que você pegue mais leve com você e com ele. Concentre-se mais no que vocês têm de bom do que no que está errado. Uma situação como essa, dependendo de como é vivida, pode vir a tornar o relacionamento ainda mais sólido e belo, já que implica em muita confiança, compreensão e cumplicidade, e é uma nítida demonstração de amor de ambas as partes. E lembre-se de que, neste caso também, há sempre a possibilidade de "sair fora" desta confusão se ficar pesado demais. A sua situação é mesmo aquela em que é preciso se pensar e sentir se vale a pena, no sentido mais pleno dessa expressão, já que neste caso a "pena" é bem grande, assim como o amor entre vocês...

Fico torcendo para que você encontre seu caminho e, mais do que tudo, torcendo para que, seja qual for este caminho, que você se permita segui-lo entregue e confiante de sua escolha. Ficar em cima do muro, com um pé de um lado e outro do outro, acaba nos impedindo de viver o que há de melhor em cada um dos territórios...
 
Um grande abraço:)

 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 01h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PERGUNTA:

"OI LUISA, ESTOU DE VOLTA, TENHO CONTINUADO A MINHA ANÁLISE, COMO JÁ HAVIA DESCRITO PARA VOCÊ. TEM MOMENTOS EM QUE ME SINTO CHEIA DE CORAGEM PARA PERCORRER O LONGO CAMINHO DE DESCOBRIMENTO E ATÉ MESMO DE SOFRIMENTO, EM OUTROS PERCO A CORAGEM, SAIO CORRENDO DA ANÁLISE, DEVO DEIXAR MINHA ANALISTA ASSUSTADÍSSIMA, IMAGINO EU, POIS OS MOTIVOS QUE ME LEVARAM À ANÁLISE NÃO SÃO FÁCEIS E ELA PERMANECE FIRME, NÃO FALA MAS SINTO QUE NO SEU SILÊNCIO ELA ME COMPREENDE, TEM MOMENTOS EM QUE EU A ODEIO, MAS OUTROS NÃO SEI O QUE SERIA SEM ELA. LUISA, ME FALA PORQUE TEM MOMENTOS QUE FALAR COM MINHA ANALISTA É COMO SE FALASSE A OUTRAS PESSSOAS, SERA QUE ESTOU ENLOQUECENDO? ÀS VEZES TENHO MEDO DE SABER. HOJE JÁ NÃO SEI QUEM SOU, SERÁ QUE PERDI MEU REFERENCIAL? OU SERÁ QUE A ANÁLISE ESTÁ COMEÇANDO? MAS TENHO CONTINUADO, ACHO COM CERTEZA QUE FOI UMAS DAS MELHORES COISAS QUE FIZ NA VIDA, MESMO ME SENTINDO CONFUSA TENHO PERSISTIDO. FALE UM POUCO SOBRE ESSA CONFUSÃO QUE ESTOU SENTINDO. MUITO OBRIGADO. ABRAÇOS!

 

RESPOSTA:

Viviane, fico feliz em lhe "ouvir" de novo. E fico ainda mais feliz por saber que você tem persistido em sua análise, o que mostra coragem e, acima de tudo, desejo de mudar. Um processo de análise é obviamente mais conturbado, delicado e difícil para aqueles que têm uma história de vida complicada e dolorosa. Mexer com dores antigas (mas sempre recentes pelo impacto emocional que geram) faz com que em determinados pontos da análise o paciente pense em desistir e sinta-se inseguro e resistente ao processo.

Pelo seu relato sua análise vai muito bem e, repetindo o que havia dito da outra vez, essa associação da figura da sua analista com outras pessoas significativas em sua vida é algo que faz parte do tratamento, é esperado que isso aconteça numa relação analítica. Portanto, você não parece estar enlouquecendo não... E se não sabe mais quem é, talvez seja mesmo o início de sua análise. Afinal de contas, quem era essa pessoa que você achava que conhecia? 

Na análise acabamos nos dando conta do quão pouco sabemos de nós mesmos e percebemos quantas historinhas duvidosas nos contaram ao longo da vida e quantas outras nos contamos todos os dias tentando encontrar essa "verdade" sobre quem somos. Será que você perdeu seu referencial ou apenas percebeu que ele não era assim tão sólido e confiável???

Abrir mão de uma verdade permite que enxerguemos muitas outras possíveis verdades, abre espaço para novas formas de olhar o mundo e de lidar com as pessoas e conosco. Portanto, Viviane, concordo com você, essa sua análise parece mesmo ter sido um grande acerto em sua vida. Sugiro que você siga o exemplo de sua analista e continue firme, apesar dos sustos e obstáculos. E volte a visitar este Divã sempre que sentir vontade, estarei aqui para lhe ouvir e refletir junto com você.  


 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 01h59
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"QUANDO ERA CRIANÇA, APANHEI MUITO DO MEU PAI QUE ERA ALCOÓLATRA E ME BATIA MUITO. HOJE TENHO 26 ANOS E NÃO SEI O QUE FAZER. NÃO CONSIGO REAGIR ÀS SITUAÇÕES COMPLICADAS DA MINHA VIDA. TENHO SEMPRE O MESMO SONHO: QUE UMA PESSOA QUE NÃO CONSIGO DEFINIR O SEXO SEMPRE ME DÁ UMA SURRA NA FRENTE DE VÁRIAS PESSOAS, E EU NÃO FAÇO NADA, E PIOR, NÃO CONSIGO CHORAR. É UMA SITUAÇÃO TÃO CONFUSA. SINTO UMA ANGÚSTIA ENORME. QUAL A RELAÇÃO DO QUE VIVI COM AS SITUAÇÕES ATUAIS? SERÁ QUE CONTINUO AGINDO COMO CRIANÇA QUE TEM MEDO DE TUDO?"

RESPOSTA:

Marcia, você não está agindo como uma criança que tem medo de tudo. Você está agindo como uma adulta que teve uma infância atormentada pela violência física e psicológica. Pelo seu relato, parece bastante evidente a relação entre o que você viveu no passado e as dificuldades que você vive hoje. Mas o que interessa é que você não está condenada a ter uma vida difícil porque teve uma infância complicada. Uma boa análise certamente a ajudará a reler sua história e a criar novas formas de lidar com as situações da vida.

O que falta para você se dar a chance de se refazer deste passado doloroso e seguir adiante? Se estava precisando de um empurrãozinho, acaba de receber...

Tenho certeza de que uma análise com um profissional competente tem tudo para lhe colocar num lugar bem mais confortável e feliz do que este em que você se encontra. Se você estiver com dificuldades financeiras, busque ajuda em alguma clínica social. Há sempre um bom profissional por perto, basta você procurar.

Fico aqui esperando para saber como anda seu tratamento...  



Escrito por Luisa Mascarenhas às 01h51
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"OLÁ LUISA, PARABÉNS PELO EXCELENTE BLOG!!!! TENHO UM RELACIONAMENTO DE 8 ANOS, MEU NAMORADO É ÓTIMO, SABE AQUELES HOMENS QUE ADIVINHAM SEU PENSAMENTO? ELE É ASSIM, MAS TEM MOMENTOS EM QUE EU NÃO ME SINTO FELIZ DO LADO DELE. INCRÍVEL MAS EU O AMO MUITO. MAS O NOSSO RELACIONAMENTO É PERFEITO DEMAIS. ME SINTO CULPADA ÀS VEZES, A MAIORIA DAS VEZES POR ME SENTIR ASSIM. PORQUE ME SINTO ASSIM?"

RESPOSTA:

Meire, não há nada de extraordinário ou incoerente em você amar muito alguém e nem sempre estar feliz ao lado dessa pessoa. Nenhum relacionamento é completamente satisfatório. 

Você descreve seu namorado como alguém muito sensível e generoso. Isso parece estar lhe gerando culpa, já que ele fica na posição do mais amoroso e doador do casal, e você no lugar de questionadora e insatisfeitaSe você só conseguir enxergar por essa perspectiva, a relação vai ficar cada vez mais desconfortável para você e o namoro corre o risco de ser boicotado.

Não existe relação perfeita, Meire, existem relações saudáveis e amorosas. Acho que o primeiro passo para acabar com essa culpa (completamente improdutiva por sinal) é desmistificar seu namorado e o namoro em si. Se fossem perfeitos, você nem sequer estaria me escrevendo.

Você diz que seu relacionamento é perfeito DEMAIS. Gostaria muito que você pensasse bem onde está esse excesso... O que é demais para você? E, afinal, o que é essa tal perfeição que você está descrevendo? Pense bem sobre isso, perceba o que neste namoro você não está conseguindo digerir. Será que é a sua posição na relação?

Reflita também sobre a maneira como você age na vida. É comum sentir-se insatisfeita com as coisas que te fazem bem? Em geral você suporta bem a satisfação? Há pessoas que temem sentir-se satisfeitas porque acham que a satisfação acabaria com a capacidade de desejar, o que é um grande equívoco, já que qualquer satisfação é apenas parcial e não extingue o desejo.

Analise tudo isso e não deixe de pensar sobre o papel que você vem exercendo na relação e a forma como você se vê em relação ao seu namorado. Talvez seja esse o seu incômodo. Quando alguém nos parece perfeito DEMAIS é porque parece melhor do que nós... Talvez o problema não esteja no excesso de qualidades dele, mas na imperfeição que você vê em si mesma diante desta comparação

Por questionar a relação, você acha que está sendo incoerente e injusta, já que tudo é "perfeito", ele é uma pessoa maravilhosa e vocês se amam muito. O que garanto é o seguinte: sua capacidade de questionar e buscar algo a mais para vocês em muitos momentos pode ser mais benéfica para o namoro do que o talento dele de adivinhação... Só não vale extrapolar no questionamento e esquecer de curtir o que vocês têm de bom.

Volte a escrever, vou adorar saber como anda esta relação lindamente imperfeita de vocês.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 01h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"Olá, eu tenho uma vida meio deprimente, pois meu humor muda instavelmente, ja não sei o que fazer pois perdi muitos amigos, que também não me compreendem,fui despedido muitas vezes, todas as vezes em que meu estado mental muda acabo magoando alguém, minha família já não agüenta mais, ou eu fico ansioso e começo a procurar coisas pra fazer, ou eu fico muito nervoso e tenho explosões sem motivo nenhum. Como não possuo condiçoes financeiras pra fazer uma análise, gostaria de saber se vc pode me indicar algum exercício, ou alguma coisa para que isso não atrapalhe a minha vida e carreira profissional. Posso contar relatos dessa minha vida que desde que me dou conta, sucedem esses quadros de mudança repentina de humor, sem motivo aparente... no aguarde e obrigado desde já."

RESPOSTA:

Rafael, você descreveu uma situação emocional realmente delicada, que compromete sua vida familiar, profissional e social, além de te deixar profundamente inquieto. Você diz que não tem condições financeiras para pagar uma análise, mas parece saber que esse seria o caminho mais indicado.

O que posso te afirmar é que existem muitas clínicas sociais com profissionais de excelente formação e muito competentes atendendo por preços muito baixos, muito mais do que você pode imaginar. O objetivo destes lugares é exatamente atender pessoas como você, que querem e precisam se tratar mas não têm condições de pagar uma análise. Faça uma busca na internet dos locais que existem próximos de onde você mora. Em geral, há clínicas sociais em faculdades que oferecem o curso de psicologia e em muitas sociedades psicanalíticas. 

Não deixe de procurar ajuda, tenho certeza de que sua vida pode ser bem mais feliz do que tem sido. Só não vale se boicotar e deixar de buscar se tratar com a desculpa de que não tem dinheiro. Você vai se surpreender com a qualidade de tratamento que você pode conseguir pagando o que você  pode pagar. Corra atrás de sua saúde e felicidade, você verá que sua vida pode ser muito diferente - e melhor. Conto com sua perseverança e fico aguardando boas notícias:) 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 02h42
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"LUISA, É TÃO BOM LER DEPOIMENTOS COMO ESTES E SABER QUE NÃO SOU A ÚNICA A ME SENTIR TRISTE, DESANIMADA, SEM RUMO. FALTA CORAGEM PARA ENTENDER O PORQUE, MEDO DE ENFRENTAR UM PSICÓLOGO, MEDO DA VIDA. FALE UM POUCO SOBRE A DEPRESSÃO, FICO DIAS DEITADA, SEM FORÇA PARA LEVANTAR. ME SINTO DEPRESSIVA. CHORO SEM SABER O MOTIVO REAL. É UMA TRISTEZA TERRÍVEL, PRECISO TANTO ENTENDER O QUE SE PASSA COMIGO, POR FAVOR LUISA, FALE SOBRE O QUE ESTOU SENTINDO. OBRIGADO. "

RESPOSTA:

Verônica, certamente todos nós nos sentimos tristes em determinados momentos e até mesmo em determinados períodos da vida. Mas seu relato parece expressar mais do que tristeza. Você descreveu mesmo um quadro depressivo, que pode ter vários graus e causas diversas. A depressão pode ter um componente genético e pode também ser resultado de circunstâncias da vida. Na verdade muitas vezes há os dois componentes juntos.

Seja como for, o importante é buscar tratamento. Busque um psicólogo e veja se é o caso de procurar também um psiquiatra, dependendo do caso é necessário entrar com medicação. Mas ainda é cedo para pensar nisso. Dê o primeiro passo procurando ajuda. Divindindo suas questões com um profissional, você certamente vai conseguir grandes progressos. 

Você comentou ter medo de dar esse passo. O que posso te garantir é que, uma vez que você busque ajuda qualificada, você se sentirá tranqüila e segura para enfrentar suas inquietações. Agora pode parecer um bicho de sete cabeças, mas começando o tratamento você mudará completamente de idéia. Tenha certeza de que a falta de atitude diante da própria dor só aumenta seu mal estar, já que gera uma sensação de impotência e falta de perspectivaDê o primeiro passo, você verá que os outros virão naturalmente. Não se faça muitas perguntas, não tente descobrir sozinha o caminho das pedras. Há momentos para reflexão e há momentos para ação. No seu caso, é hora de agir. Fico aqui aguardando notícias suas. Um abraço carinhoso. 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 01h31
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




DEVIDO AO TEMPO EM QUE ESTIVE AUSENTE, AS PERGUNTAS SE ACUMULARAM E AGORA NÃO TENHO CONDIÇÕES DE RESPONDER TODAS ELAS. PEÇO AOS INTERESSADOS QUE REPITAM AS PERGUNTAS FEITAS PARA QUE EU POSSA RESPONDER, COLOCANDO DESSA VEZ A PERGUNTA NO "FAÇA AQUI SUA PERGUNTA OU COMENTÁRIO" QUE ESTEJA NO ALTO DA PÁGINA, OU SEJA, NO POST MAIS RECENTE. AS PERGUNTAS QUE ESTIVEREM EM POSTS MAIS ANTIGOS NÃO SERÃO RESPONDIDAS. CONTUDO, SE VOCÊ QUISER DEIXAR UM COMENTÁRIO EM POSTS MENOS RECENTES SINTA-SE À VONTADE, É ESSE MESMO O ESPÍRITO DO BLOG:) SÓ NÃO TENHO COMO FORMAR UMA LISTA DE PRIORIDADES NAS RESPOSTAS SE AS PERGUNTAS ESTIVEREM EM LOCAIS DIVERSOS. SEMPRE QUE A PERGUNTA ESTIVER NO POST MAIS RECENTE, ELA SERÁ RESPONDIDA, MESMO QUE NÃO SEJA NA PÁGINA PRINCIPAL, E SIM LOGO ABAIXO DO COMENTÁRIO FEITO.

PEÇO DESCULPAS PELO TEMPO AUSENTE E CONTO COM A COMPREENSÃO E PARTICIPAÇÃO DE VOCÊS.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 02h39
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"Faço análise há 4 meses,estou no começo, mas acho muito difícil expor todos os sentimentos. Não quero desistir, pois tenho certeza de que num futuro próximo estarei mais segura...que é uma das causas que me levou a procurar ajuda. Mas dentre as coisas que ainda não consegui me abrir com a minha analista é de uma relação de mais de 10 anos atrás. Hoje sou casada, tenho um casamento estável, mas no mês de novembro passado reencontrei um "ex".Tivemos um namoro de 1 ano(1993/94), mas por razões de trabalho ele mudou de estado e à época o namoro foi interrompido. Passamos quase 10 anos sem contato e deste último encontro ressurgiram sentimentos muitos especiais. E aconteceu: passamos horas e horas conversando e tivemos relação sexual..parecia que nunca havia tido uma separação. Fomos felizes demais naquele momento. Hoje estamos cada um residindo em estados diferentes, cada um seguindo sua vida, mas não o esqueci - se é que algum dia havia esquecido! Estou atormentada pelo desejo de + um encontro. O que faço?

RESPOSTA:

Patrícia, pelo seu relato tive a impressão de que você está pedindo permissão para seguir um desejo. A decisão de viver essa relação extraconjugal só pode vir de você. Só você pode medir a necessidade de viver essa paixão que parece ter ficado latente por anos e decidir se vale se expor ao risco de perder seu casamento ou pelo menos abalar essa estrutura. Uma coisa parece certa: essa relação é algo que te emociona para além do sexo, existe um forte afeto em relação ao seu ex. Claro que junto com ele pode ter "voltado" também todas as emoções gostosas de um tempo que agora parece distante e perfeito, em que não havia as obrigações e toda a dedicação que o casamento exige. Você pôde nesta noite reviver uma relação de namoro, de apaixonamento. Não passou uma noite apenas com ele, mas uma noite em que você voltou a ser quem era há 10 anos... uma espécie de reencontro com você no passado. Esse reencontro com ele e com você pode te levar a vários caminhos, e você os conhece muito melhor do que eu...

Reflita sobre tudo isso e pense na possibilidade de usar essa experiência para promover as mudanças que você deseja na sua vida e até mesmo em seu atual casamento. Quem sabe ao invés de buscar reviver um amor do passado você não possa viver seu amor no presente de uma forma mais satisfatória? Uma noite como essa não necessariamente significa o início de uma nova relação com alguém, mas uma nova relação com você mesma. Busque entender qual é a forma de felicidade que você almeja para você e aja em consonância com ela. Volte a escrever se precisar. Um grande abraço.

  


 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 02h04
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"Eu estou tentando marcar um psicólogo há muito tempo, eu sabia que o namoro ia terminar de novo por minha causa, e não deu outra.
Agora me sinto culpada por não ter tomado essa atitude, terminei um namoro de 1 ano e seis meses e segundo ele eu não dava valor a ele e o fiz muito sofrer. É o segundo namoro de 1 ano e 6 meses que termina assim.
Estou me sentindo um lixo, perecível, com prazo de validade. E odeio pensar que a culpa foi minha, de novo. Eu fico tentando entender porque ele não ficou do meu lado pra me ajudar (porque eu realmente sou muito arisca, muito grossa quando nervosa) mas eu sempre o amei muito e nunca fiz NADA por mal. Ele desistiu de mim, já é o segundo.
Como faço pra eu não desistir de mim mesma ? Nem deixar que isso se repita MAIS UMA VEZ ?
Nossa... tá sendo muito dificil contar isso tudo.
Aguardo ansiosa uma ... LUZ !

Grata desde já !"

RESPOSTA:

O que posso te dizer a respeito de sua questão é que de fato costumamos repetir as mesmas atitudes sim. Não porque elas sejam as melhores e sim pela simples questão de que a mente tende a repetir padrões que funcionaram em determinado momento como forma de defesa. Repetimos porque mesmo que não seja a melhor opção, é aquela que conhecemos e na qual nos reconhecemos. Ou seja, sua preocupação é pertinente. Se você acha que de certa maneira boicotou duas relações, pode ser uma boa hora de começar uma análise para evitar que isso se repita. Não tenho outra sugestão útil além dessa. Uma boa análise é a única forma que consigo enxergar para que você não caia mais uma vez na mesma armadilha. Você vai descobrir neste processo o que a leva a agir do modo como tem agido e vai vislumbrar modos de sair dessa emboscada. Fico esperando notícias suas.



 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 15h00
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PERGUNTA:

LUISA VOCÊ NÃO IMAGINA COMO ESTOU FELIZ DE ENCONTRAR UM BLOG ASSIM COMO O SEU! FAÇO ANÁLISE, MINHA ANALISTA É OTIMA, MAS NÃO CONSIGO FALAR, TENHO VIVIDO MOMENTOS DIFÍCIES, TENHO MEDO, SONHO COM OBJETOS QUE ME DEIJAM APAVORADA, MINHA ANALISTA NÃO FALA, APENAS OUVE, PRECISO FALAR MAS NÃO CONSIGO. COMO SE DÁ UMA ANÁLISE? EXISTE MUITO SOFRIMENTO EM UMA ANÁLISE ? TEM MOMENTOS EM QUE EU ODEIO MINHA ANALISTA, MAS É COMO SE ELA SE TORNASSE UM POUCO DAS PESSOAS QUE ME FAZEM SOFRER EM DETERMINADO MOMENTO, MAS AO MESMO TEMPO É A ÚNICA PESSOA EM QUE POSSO CONFIAR. É UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO. LUISA, POR FAVOR ME RESPONDA URGENTE! TENHO A SENSAÇÃO QUE VOU ENLOQUECER. OBRIGADO PELO ESPAÇO.

RESPOSTA:

Viviane, peço deculpas por ter demorado tanto tempo a responder. Acabo de reler sua pergunta e vi que está totalmente relacionada à resposta que acabo de escrever abaixo.

Você comentou que sua analista não fala e que você não está conseguindo se abrir. Mas ao contrário do que você imagina sua análise parece estar sendo muito bem sucedida. Isso que você descreveu como amor e ódio e quando disse que sua analista se torna um pouco parte das pessoas que te fazem sofrer descreve o elemento fundamental para uma análise funcionar: a transferência. Num processo analítico você acaba transferindo para o analista emoções, pensamentos, julgamentos, etc que você vive com outras pessoas significativas na sua vida, como pai, mãe, namorado, marido, irmãos etc. É como se o analista recebesse todas essas "projeções" e a análise passasse a ser de certa forma um lugar onde você revive questões experimentadas fora dela. Isso tudo faz parte mesmo, mas de fato implica em uma boa dose de angústia. Mas persista, esse é um sofrimento que vale pelo crescimento no qual resultará e pelo bem estar que te trará a longo prazo.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 00h49
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




PERGUNTA:

"Faço análise há algum tempo, mas atualmente não consigo falar com minha analista, preciso falar mas quando chego em seu consultório as palavras não vêm, tenho tido sonhos horríveis, vivi momentos de violência sexual e alcoolismo. Fale um pouco sobre isto, acho que tenho depressão. Depos falo mais, pois preciso abrir o coração! Obrigado."

RESPOSTA:

Tati, o processo de análise é delicado e às vezes leva mesmo um tempo para nos sentirmos seguros e revelarmos nossas mais secretas inquietaçõesNão exija de você passos maiores que suas pernas. O importante é que você continue freqüentando sua análise, mesmo que não consiga dizer nada. Se conseguir dizer alguma coisa, diga. Se não está pronta para grandes revelações, que tal começar pelas pequenas? Aos poucos você vai ganhando confiança e quando menos perceber terá conseguido compartilhar suas questões mais doídas. Quanto à depressão, que tal conversar sobre isso na análise? Explique a ela porque você supõe sofrer deste mal, certamente ela lhe ajudará a esclarecer o que de fato está acontecendo. Para evitar esses "brancos" que você tem tido, que tal anotar alguns pensamentos, dúvidas e inquietudes e levar para a consulta? Um diário pode ser também um ótimo aliado. Mas lembre-se, o fundamental é persistir no processo analítico.  

Estarei por aqui sempre que precisar, pode continuar escrevendo.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 00h26
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

Olá Dra. Luisa, voltei, mas agora não sou mais novato. Sua resposta esclareceu muitas coisas para mim, mas surgiram outras dúvidas em como conduzir tudo. Atualmente a primeira dúvida é cruel. Estou namorando uma pessoa há 5 meses e não tenho dúvidas que ela é a pessoa que quero ficar, namorei 6 anos com essa dúvida na cabeça todos os dias, e estou num dilema. Quero mudar de AP, mas se fizer isso ela vai comigo. Será que essa é a decisão certa? Digo, é bom morar sozinho, mas será que é tão bom dividir várias coisas com uma pessoa que conhecemos em tão pouco tempo? Mesmo tendo a certeza de que ela te faz bem e pode fazer melhor? A pergunta é confusa, eu sei, assim como sei que estou confuso com relação a isso. Nunca tivemos uma conversa sobre grana, ela faz coisas relacionadas a dinheiro que não gosto (dívida) e não sei se poderá dividir (em todo o sentido da palavra) as contas da casa. Fico na dúvida se essa é a hora certa. Pode me ajudar? Obrigado mais uma vez!

RESPOSTA:

Oi Marcio, bom ter você aqui de novo. Você acaba de trazer mais um excelente questionamento: o tempo ideal dos acontecimentos dentro de uma relação. Existe isso? Sinceramente, não sei dizer se há um momento preciso em que tudo conspira a favor de um evento em nossa vida. Geralmente optamos por não ficar esperando por esse tempo que parece não chegar nunca. É comum nos apressarmos não porque temos CERTEZA ABSOLUTA de que algo deve acontecer, mas porque percebemos que estamos prestes e perder algo precioso se não tomarmos uma providência. Claro que existe sim de uma maneira geral uma vontade genuína de que certas coisas aconteçam em nossas vidas e nós vamos agindo de acordo com nossos desejos e nossas necessidades. O que estou querendo dizer com isso tudo? Que aparentemente não existe tempo ideal, mas existe sim um tempo "bom", um tempo que nos parece adequado, confortável e prazeroso. Se estamos sempre sintonizados com esse tempo? Não. Infelizmente às vezes a vida nos atropela e às vezes atropelamos a vida.

Mas antes de continuar, quero te perguntar algo: Por que você afirma que se você mudar de apartamento ela virá morar com você? Essa é uma decisão de quem? Me parece que você está tentando acompanhar o ritmo e os desejos DELA para não perdê-la ou então anda se precipitando fazendo promessas e se comprometendo por achar que é assim que você deveria estar se sentindo já que está tão apaixonado. Às vezes as pessoas confundem amor e relação. Cada um deles têm um ritmo próprio, apesar de obviamente estarem interligados. A relação envolve muitos fatores para além do sentimento entre o casal. Será que você não está colocando o carro na frente dos bois? 

Converse com ela e entenda quais são as expectativas do lado de lá e exponha seus desejos e inquietações. Se for ela quem está apressando o passo e tentando lhe arrastar provavelmente isso ficará claro e você terá a oportunidade de fazê-la enxergar e respeitar o seu ritmo. Não estou dizendo que não vai haver um embate. É provável que sim, já que o tempo dela parece mais acelerado que o seu. Mas por que o ritmo dela tem que prevalecer? Não será mais justo uma negociação entre vocês?

Se na verdade quem estiver se apressando for você mesmo, como que tropeçando nas próprias pernas, aí o mais importante é você tentar entender por que está buscando agradá-la a qualquer custo e talvez tentando se convencer de que está pronto para uma relação de entrega total nesse momento de sua vida. Será que você quer ou tem vontade de querer? 

Pense com calma sobre tudo isso e tente conversar com sua namorada. Uma conversa aberta e honesta costuma dar ótimos resultados e nos deixar com as costas bem mais leves...

Pode continuar escrevendo sempre que quiser. Fico aguardando notícias.



Escrito por Luisa Mascarenhas às 02h41
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




www.olhares.com

PERGUNTA:

"Olá Dra. Luisa, sou novato aqui, mas tenho uma questão que talvez possa me ajudar, mas nada amoroso como os demais, é algo mais global. Sou solteiro, moro sozinho e atualmente estou insatisfeito no trabalho, insatisfeito com a forma como estou lidando com minha vida pessoa, triste com meu corpo. Na verdade, estive conversando com uma grande amiga e ela me alertou dizendo que eu tenho opções para cada ponto. Mas como é difícil tomar uma decisão né? Meu deus. Casar ou comprar uma bicicleta? Teria um jeito mais fácil de tomar decisões? Sei lá? Uma planilha, um programa no computador? Caso me responda, farei as duvidas 1 de cada vez, com as devidas opções. Agradeço muito a sua resposta!

RESPOSTA:

Marcio, peço desculpas pela demora em te responder. Mas vamos lá. Você diz estar insatisfeito com seu trabalho, com seu corpo e com o modo como está lidando com a vida. Ou seja, está colocando em questão sua forma de viver e descontente com quem você tem sido. Isso é obviamente doloroso, gera angústia, mas é também sinal de crescimento. Quem se questiona é porque deseja mais, tem sonhos e expectativas para a vida. Você deseja mudar, o que é bom, desejar já é o começo. Mas cuidado com as expectativas que você tem criado, quando elas são altas demais (e vagas demais) a gente acaba paralisado, sem saber como dar início a um processo que parece quase impossível. Então o melhor é colocar no papel e na cabeça quais são as insatisfações que você está vivendo, tentando ser o mais detalhista possível. Por exemplo, "estou insatisfeito com o trabalho". Mas insatisfeito em que sentido? O que quer na sua profissão que não está tendo? O que tem de bom e de ruim agora? Uma insatisfação genérica não leva ninguém a encontrar uma solução, é preciso detectar onde está o problema. Está insatisfeito com seu corpo? O que não está fazendo por ele? Qual a sua expectativa?

Colocar a insatisfação em termos mais concretos é um exercício excelente que pode te ajudar muito. Se quiser ser bem metódico coloque numa coluna o que está te gerando satisfação neste momento, numa outra o que você não está gostando, numa terceira o que você gostaria de alcançar/ser e na última coloque os possíveis passos para que você alcance seus objetivos. Depois de analisar bem essas colunas, refletir sobre tudo que você escreveu, perceba quais são os prazeres que você está tendo agora e que teria que abdicar para conseguir alcançar alguns dos sonhos que você enumerouO quanto esses prazeres lhe são preciosos?

O exercício de escolher é duro porque implica abrir mão de algo (geralmente até mais de uma coisa), sempre. Escolher significa deixar para trás uma parte de quem somos para nos tornarmos quem queremos ser. Mas queremos ser tantas coisas... Ou seja, para realizarmos alguns sonhos TEMOS que abdicar de quinhentos outrosTemos que abdicar de parte de quem somos e também do MUITO que gostaríamos de ser. A vida, sendo uma só para muitos sonhos e muitos "eus" imaginados, impede-nos de ser e fazer tudo aquilo que desejamos. Por outro lado, nos dá a oportunidade de realizar alguns desses muitos sonhos... 

Lidar com a frustração é amadurecer. Pior que abrir mão de vários sonhos para realizar algum deles é não abrir mão de nenhum e ficar vivendo na fronteira entre o que eu sou e o que eu gostaria de ser. Uma vez que você ultrapassar essa linha, por mais paradoxal que isto seja, sua angústia vai diminuir. Você vai ver que pelo menos alguma coisa dá para fazer e que essa perda que doía tanto de imaginar é tolerável no fim das contas. A partir desse momento, vai sentir-se mais livre e mais dono de si. 



Escrito por Luisa Mascarenhas às 15h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, PSICÓLOGA, CRP 05 - 30547
Histórico
Outros sites
  O DIVÃ ONLINE É UM ESPAÇO DE DIÁLOGO E REFLEXÃO. OFERECE ORIENTAÇÃO PSICOLÓGICA PARA QUESTÕES PONTUAIS, PORTANTO NÃO PRETENDE SUBSTITUIR UM TRATAMENTO PSICOLÓGICO.
  PARA PARTICIPAR DO DIVÃ ONLINE CLIQUE EM "FAÇA AQUI SUA PERGUNTA OU COMENTÁRIO", LOGO ABAIXO DA ÚLTIMA PERGUNTA RESPONDIDA, OU SEJA, A PRIMEIRA DA PÁGINA
  FALE COMIGO PELO E-MAIL: lumpmascarenhas@uol.com.br
  Divã Online por Luisa (primeira versão desse blog, contém o histórico das muitas perguntas que respondi, não deixem de visitar!!!)
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  Só Pensamentos
  Neo
  Acompanhamento Terapêutico
  Luiz Alberto Py - Canto da Alma
  Águas da Vida
  Na ponta do lápis
  Bailar das Letras
  Vida Urbana
  Antonio Prata - textos imperdíveis!!!
  Lua em poemas
  Rebeldetenn
  Hiper Blog
  Site de Adriano de Aquino - lindíssimo!!!
  Fina Flor
Votação
  Dê uma nota para meu blog